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Regulação

ANP quer adicionar cor e sabor amargo ao etanol para dificultar adulteração de bebidas

Agência propõe corante verde nas usinas até 2027 e substância amarga no combustível como solução definitiva; medidas exigem revisão regulatória e testes técnicos ainda sem prazo definido

Atualizada em 12 de setembro de 2026 às 21:05· 2 fontes· 50 leituras
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BIOCOMBUSTÍVEIS

Etanol ganha corante verde e sabor amargo para barrar adulteração

ANP aprova estudo com duas medidas para impedir desvio do combustível para bebidas clandestinas.

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A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis aprovou um estudo com propostas para tornar o etanol hidratado inapropriado para uso na fabricação clandestina de bebidas alcoólicas. Segundo a Autoesporte, as iniciativas surgiram como resposta direta às mortes registradas em 2025 causadas por bebidas adulteradas com metanol — substância tóxica que provoca graves danos ao organismo.

O plano tem duas frentes. A medida de curto prazo, prevista para entrar em vigor ao longo de 2027, é a adição obrigatória de corante verde ao etanol nas próprias usinas, conforme aponta a Autoesporte. O Jornal do Carro (Estadão) detalha que, para isso, a ANP precisará iniciar a revisão da Resolução ANP nº 907, de 2022 — um processo que ainda passará por análise de impacto regulatório ou nota técnica, consulta e audiência públicas e, por fim, deliberação da Diretoria Colegiada. A norma revisada também estabeleceria um prazo de transição para a adaptação de produtores, distribuidores e demais empresas do setor. O Jornal do Carro ressalta que a decisão ainda não está tomada, uma vez que todas essas etapas precisam ser concluídas antes que a resolução seja efetivamente aprovada.

Já a solução considerada definitiva pela agência, segundo a Autoesporte, é a incorporação do benzoato de denatônio ao combustível — uma substância de sabor extremamente amargo, já utilizada em produtos de higiene e limpeza que contêm etanol justamente para diferenciá-los de bebidas e evitar ingestão acidental. A lógica é que qualquer pessoa que consumisse uma bebida adulterada com esse etanol perceberia imediatamente o gosto desagradável. O Jornal do Carro (Estadão) acrescenta que a ANP reconhece não haver precedentes do uso do composto em etanol destinado ao abastecimento de veículos, o que exigirá uma nova fase de avaliações: a agência realizará testes mecânicos para verificar se a substância pode causar efeitos adversos em componentes do veículo ou alterações relevantes nas emissões de poluentes. Justamente por isso, o Jornal do Carro aponta que não há previsão de quando o etanol "saborizado" poderá chegar aos postos brasileiros.

A Autoesporte destaca que o estudo foi conduzido após determinações do Conselho Nacional de Política Energética e do Tribunal de Contas da União. O Jornal do Carro (Estadão) complementa que a iniciativa atende especificamente à Resolução nº 6 de 2026 do CNPE e responde a uma recomendação do TCU, que realizou auditoria sobre a prevenção e repressão à adulteração de bebidas alcoólicas e os riscos à saúde da população. O processo contou com a participação de produtores de etanol, distribuidoras de combustíveis, empresas de inspeção da qualidade, fornecedores de corantes, fabricantes de veículos — incluindo a Anfavea — e representantes do setor de cachaça, conforme aponta a Autoesporte. Testes físico-químicos também foram realizados no Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas da própria ANP, e o relatório final já foi encaminhado ao Ministério de Minas e Energia e ao TCU.

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