Baic quer ser top 5 do Brasil até 2030 e aposta em carros entre R$ 100 mil e R$ 200 mil
Executivo Oswaldo Ramos detalha estratégia da montadora chinesa para conquistar o mercado brasileiro com produção local, 150 concessionárias e linha eletrificada.
A Baic, quinta maior montadora da China, traçou um plano ambicioso para o Brasil: figurar entre as cinco marcas mais vendidas do país até 2030. Segundo o Jornal do Carro (Estadão), quem lidera essa empreitada é Oswaldo Ramos, executivo com passagens pela Ford, pela GWM e pela Lotus no mercado nacional. A estratégia, conforme ele detalhou ao veículo, passa por cobrir todos os segmentos com produtos precificados entre R$ 100 mil e R$ 200 mil — faixa que concentrará seis dos dez modelos previstos para o portfólio.
Um dos destaques da linha será o Arcfox T1, crossover elétrico que Ramos descreveu ao Jornal do Carro como um veículo de aerodinâmica cuidada — característica que, segundo ele, impacta diretamente a autonomia dos elétricos. O executivo fez questão de rebater o estereótipo visual associado aos carros elétricos: "O carro elétrico não precisa ser feio", afirmou. Sobre a convivência entre tecnologias, ele foi categórico: "A revolução não é chinesa, é tecnológica", defendendo que elétrico puro, híbrido, plug-in e flex têm públicos distintos. Os híbridos da marca chegarão primeiro a gasolina e, a partir de 2028, a ideia é migrar toda a linha para compatibilidade com etanol, de acordo com o Jornal do Carro.
A presença física no país também está no centro do plano. O Jornal do Carro aponta que a Baic pretende abrir 50 concessionárias na largada, com foco em capitais e centros regionais — São Paulo receberá cinco unidades —, chegando a 150 pontos de venda no segundo semestre de 2026. Ramos sinalizou ainda que a produção local é inevitável para quem almeja volume: com 35% de imposto de importação acima de determinada escala, montar no Brasil deixa de ser opção e vira obrigação. Três caminhos estão na mesa — alugar, comprar ou construir uma fábrica.
Perguntado sobre a sobrevivência das mais de 20 marcas chinesas que já operam no Brasil, Ramos foi direto ao ponto, segundo o Jornal do Carro: a briga real está nos 80% do mercado que ainda rodam a combustão, e quem não oferecer confiança, pós-venda estruturado e rede sólida ficará pelo caminho. A competitividade dos produtos chineses, explicou ele, vem do modelo de desenvolvimento centrado em bateria e software, que permite embalar conectividade e assistência à condução sem elevar proporcionalmente o preço ao consumidor.
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