BMW, Porsche e Volkswagen anunciam dezenas de milhares de demissões em meio à crise do setor
Concorrência chinesa, queda de lucros e tarifas americanas empurram as maiores montadoras alemãs para cortes históricos de pessoal.
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A indústria automobilística alemã vive um de seus momentos mais turbulentos em décadas. Segundo a Autoesporte, a BMW tornou-se a quinta montadora do país a anunciar grandes cortes de pessoal, com a eliminação de até 8 mil postos de trabalho em todo o mundo — o equivalente a 5% de sua força de trabalho global de 154 mil funcionários. A empresa, que também controla as marcas Mini e Rolls-Royce, admite que o impacto será mais severo nas operações dentro da própria Alemanha.
A Autoesporte aponta que os resultados financeiros da BMW no segundo trimestre ilustram a gravidade da situação: o lucro líquido despencou 35%, chegando a 1,2 bilhão de euros, enquanto a receita encolheu de 34 bilhões para 31 bilhões de euros no mesmo período. As vendas na China — mercado estratégico para a marca — recuaram 30% em relação ao trimestre anterior do ano passado, atingindo o menor patamar desde 2017. Tarifas impostas pelo governo Trump e o encarecimento da energia provocado pelo conflito entre EUA, Israel e Irã agravam ainda mais o quadro.
Dois dias antes do anúncio da BMW, segundo a Autoesporte, a Porsche revelou planos para suprimir mais 5 mil vagas na Alemanha até 2035 — cerca de um em cada cinco funcionários da fabricante de esportivos. As demissões atingirão a principal fábrica da marca em Stuttgart-Zuffenhausen e o centro de pesquisa em Weissach. A empresa, que integra o Grupo Volkswagen com alto grau de autonomia, também vai adiar reajustes salariais e atrelar bônus diretamente aos resultados financeiros.
Na ponta mais crítica da crise está a própria Volkswagen. A Autoesporte destaca que a maior montadora da Europa dobrou seu programa de cortes no mês passado, mirando a eliminação de até 100 mil postos de trabalho e o fechamento de quatro fábricas na Alemanha. O grupo emprega cerca de 630 mil pessoas globalmente — aproximadamente 60% mais do que a Toyota, apesar de produzir volume similar de veículos. Sindicatos e o estado da Baixa Saxônia, acionista com poder de veto, já rejeitaram os novos planos, sinalizando que o embate entre gestão e trabalhadores está longe do fim.
Fontes
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