Clube do Torque
Regulação

Carros mais velhos têm taxa de mortalidade quase quatro vezes maior em batidas com modelos novos, aponta levantamento

Análise de 1.582 acidentes em rodovias federais brasileiras revela o abismo de segurança entre gerações de automóveis.

Atualizada em 21 de setembro de 2026 às 09:02· 57 leituras
trokdcarro
Notícia
SEGURANÇA VIÁRIA

Carros velhos têm taxa de mortalidade quase 4× maior em batidas com modelos novos

Levantamento com 1.582 acidentes em rodovias federais expõe o abismo entre gerações.

trokdcarro
deslize →

Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria

Um levantamento inédito do Jornal do Carro com dados da Polícia Rodoviária Federal analisou 1.582 acidentes ocorridos entre janeiro e julho de 2026 em que dois automóveis com diferença de dez anos ou mais de fabricação colidiram entre si. O resultado expõe um abismo de segurança: segundo o Jornal do Carro, a taxa de mortalidade entre ocupantes dos veículos mais antigos foi de 2,85% — quase quatro vezes superior aos 0,73% registrados nos carros mais novos. Quando se somam mortos e feridos graves, a disparidade se mantém: 11,6% nos veículos mais velhos contra 6,2% nos mais recentes, com ambos os grupos trafegando nas mesmas condições de pista e horário.

A explicação para essa diferença está em décadas de evolução da engenharia de segurança passiva e ativa. O Jornal do Carro lembra que a virada conceitual começou em 1952, quando o engenheiro Béla Barényi patenteou, na Mercedes-Benz, a ideia da carroceria deformável: uma estrutura projetada para absorver a energia do impacto na lataria, poupando o habitáculo e seus ocupantes. Antes disso, a indústria acreditava que carros rígidos eram carros seguros — uma lógica que o tempo provou equivocada.

Ao longo do século XX, uma série de inovações foi empilhando camadas de proteção. O Jornal do Carro destaca marcos como o vidro laminado adotado pela Ford em 1927, o cinto de três pontos criado por Nils Bohlin para a Volvo em 1959 — cuja patente foi aberta gratuitamente para toda a indústria —, o ABS desenvolvido por Mercedes-Benz e Bosch em 1978 e o primeiro airbag de série entregue pela Mercedes em 1981. Em 1995, chegou o controle eletrônico de estabilidade, que estudos associam a uma redução de até 43% nos acidentes fatais, conforme aponta o Jornal do Carro.

A pressão dos programas independentes de crash test também foi decisiva. Conforme o Jornal do Carro, os professores da USP Larissa Driemeier e Marcílio Alves, membros do Grupo de Mecânica dos Sólidos e Impacto em Estruturas, explicam que esses programas 'podem explorar novos modos de colisão e aumentar progressivamente a exigência dos ensaios', indo além do mínimo regulatório exigido pelos governos. Um exemplo citado pelo veículo é o teste de small overlap criado pelo IIHS americano em 2012, que simulava uma batida em que apenas 25% da frente do carro atingia a barreira — e expôs falhas em modelos que até então tiravam boas notas nas avaliações tradicionais, forçando a indústria a redesenhar projetos.

Fontes

Notícias relacionadas

Carros mais velhos têm taxa de mortalidade quase quatro vezes maior em batidas com modelos novos, aponta levantamento | Notícias TROKDCARRO | TROKDCARRO