Europa quer taxar SUVs maiores para frear o inchaço dos carros nas cidades
Estudo propõe impostos e tarifas de estacionamento proporcionais ao tamanho dos veículos para combater o fenômeno do 'carspreading'.
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Os carros estão ficando grandes demais para as cidades europeias — e governos do continente começam a discutir formas de reverter essa tendência. A Quatro Rodas aponta que um estudo conjunto das organizações Transport & Environment (T&E) e Clean Cities defende a criação de impostos progressivos e tarifas de estacionamento mais caras para veículos de maior porte, como resposta direta ao fenômeno batizado de carspreading.
Os números do levantamento são expressivos. Segundo a Quatro Rodas, os automóveis vendidos na Europa cresceram, em média, 1,2 cm em comprimento e 0,5 cm em altura a cada ano desde 2000, impulsionados pela popularização de SUVs e crossovers mesmo com famílias cada vez menores. Se essa trajetória continuar até 2040, cidades como Londres e Berlim podem perder cerca de 100 mil vagas de estacionamento cada, enquanto a frota elétrica europeia demandará 22,5 TWh extras de energia por ano — o equivalente à geração anual de 1.500 turbinas eólicas, de acordo com estimativas da T&E citadas pela publicação.
A segurança viária também entra na conta. A Quatro Rodas destaca que o relatório associa capôs mais altos a impactos mais graves em atropelamentos de pedestres e ciclistas, projetando até 2.570 mortes adicionais de usuários vulneráveis até 2040 caso o padrão atual se mantenha. Para conter esse quadro, o estudo propõe limitar a altura do capô a 85 cm e a largura dos veículos a 1,92 m, além de reservar incentivos fiscais exclusivamente para elétricos com menos de 4,2 m de comprimento.
A viabilidade das medidas, porém, enfrenta obstáculos consideráveis. Como observa a Quatro Rodas, os SUVs e crossovers dominaram as preferências dos consumidores nas últimas duas décadas justamente por oferecerem margens de lucro mais altas às montadoras — o que torna improvável que as fabricantes voltem a priorizar hatches e sedãs sem pressão regulatória consistente. O debate está aberto, mas a disputa entre interesses industriais e demandas urbanas promete ser longa.
Fontes
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