Fabricantes reduzem potência de motores para pagar menos imposto no Brasil
Com o IPI Verde, 115 cv virou o número mágico que separa uma alíquota menor de um custo extra multiplicado por milhares de unidades.
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Mais potência sempre foi argumento de venda. Mas, segundo a Auto+, algumas montadoras fizeram o caminho inverso em 2026: recalibraram motores já existentes para entregar menos cavalos — não por limitação técnica, mas para se enquadrar em uma faixa tributária mais favorável do IPI Verde. A nova regra do Imposto sobre Produtos Industrializados passou a considerar a potência como um dos critérios de cálculo, e o número 115 cv começou a aparecer com frequência suspeita nas fichas técnicas de modelos populares.
A Auto+ explica a lógica por trás do fenômeno: veículos com até 85 kW — equivalente a cerca de 115,6 cv — não recebem acréscimo na alíquota por causa da potência. Quem ultrapassa esse limite e chega a até 105 kW leva um adicional de 0,75 ponto percentual. Isolado, o número parece pequeno, mas quando multiplicado por dezenas de milhares de unidades produzidas por ano, o impacto financeiro para as fabricantes é considerável.
O caso mais emblemático, de acordo com a Auto+, é o do Chevrolet Tracker: o motor 1.0 turbo, que antes entregava 117 cv com gasolina e 121 cv com etanol, passou a declarar exatamente 115,5 cv com ambos os combustíveis após recalibração — o torque, porém, foi mantido intacto. O Hyundai Creta 1.0 TGDI seguiu caminho parecido: saiu de 120 cv no etanol para 115 cv independentemente do combustível. Já o Fiat Fastback e o Pulse perderam o título de três cilindros mais potentes do mercado, com o 1.0 Turbo 200 sendo recalibrado para se enquadrar na nova faixa. O Caoa Chery Tiggo 8 Pro também não escapou: o 1.6 turbo perdeu 7 cv, caindo de 187 cv para 180 cv, enquanto o torque de 28 kgfm permaneceu o mesmo, conforme aponta a Auto+.
A publicação ressalta que enquadrar o motor abaixo do limite não garante automaticamente a alíquota mínima de 6,3% — a tributação final depende da soma de todos os critérios do programa, incluindo eficiência energética, reciclabilidade e tecnologias de segurança. A potência é apenas uma peça do cálculo, mas claramente uma que as montadoras decidiram controlar com precisão cirúrgica.
Fontes
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