Gasolina e diesel sobem com a guerra, mas não caem com a trégua: entenda por quê
Mesmo com períodos de recuo no preço do petróleo, os combustíveis no Brasil acumulam altas desde o início do conflito entre EUA e Irã, em fevereiro.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O conflito entre Estados Unidos e Irã continua ditando o humor do mercado de petróleo — e, por consequência, o que o brasileiro paga na bomba. Segundo a Autoesporte, o barril do Brent fechou a US$ 84,23 na véspera da publicação, acumulando alta de 15,5% só em julho, após uma nova rodada de ataques e a retomada do bloqueio naval americano ao Estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de 20% do comércio global da commodity.
O problema é que, mesmo quando o petróleo recuou — chegando perto de US$ 70 após o pico de US$ 118,03 registrado em abril —, o alívio não chegou aos postos brasileiros. A Autoesporte aponta que dados da ANP mostram que diesel e gasolina ainda acumulam altas de aproximadamente 10% e 5%, respectivamente, desde o início da guerra, em fevereiro. O analista de inteligência de mercado da StoneX, Bruno Cordeiro, explica o motivo: "A imprevisibilidade ainda dita os preços do petróleo e, consequentemente, do diesel e da gasolina. Ainda existem muitos pontos sensíveis a serem negociados entre os dois países."
A fragilidade da trégua reforça esse cenário de incerteza. Conforme a Autoesporte relata, o acordo preliminar assinado em meados de junho foi rompido mais de uma vez, com EUA e Irã voltando a trocar ataques com mísseis e drones. Mediações do Catar e do Paquistão geraram um "avanço positivo" nas conversas, mas novas ondas de confronto seguiram colocando o cessar-fogo em xeque. O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, reforça que "seria necessária uma sinalização concreta do fim definitivo do conflito para iniciar a retirada de minas da região, a reconstrução dos portos destruídos e a retomada das operações" — processo que, segundo ele, leva tempo.
No lado da demanda, o cenário também não ajuda a baixar os preços. A Autoesporte destaca que especialistas apontam estoques globais em níveis historicamente baixos, tanto na OCDE quanto nos EUA, enquanto o verão no Hemisfério Norte eleva o consumo de energia na Europa e nos Estados Unidos. Internamente, o subsídio anunciado pelo governo brasileiro ajudou a conter parte do encarecimento, mas, segundo os especialistas ouvidos pela publicação, deve limitar também qualquer queda mais expressiva nos preços por aqui.
Fontes
Notícias relacionadas
RegulaçãoFord abre recall da Ranger 2027 2.0 por risco de vazamento no freio; veja os três chassis afetados
Apenas três unidades produzidas em 1º de junho de 2026 estão convocadas; falha no tubo do cilindro mestre pode comprometer a frenagem e elevar o risco de acidente.
Governo aplica multas acima de R$ 700 milhões e endurece punições contra abusos nos preços dos combustíveis
Novas medidas incluem operação nacional de fiscalização, 70 processos administrativos e penalidades de até R$ 500 milhões por infração.
Gasolina E35: o que muda de verdade no seu carro com mais etanol na mistura
Aprovada em lei desde 2024, a gasolina com 35% de álcool ainda não chegou aos postos — mas já gerou onda de desinformação que precisa ser desfeita.
RegulaçãoA gasolina do seu posto não é a mesma usada pelo Inmetro nos testes de consumo
Diferença na composição do combustível de referência e da gasolina comercial explica por que a autonomia real do carro quase nunca bate com o número oficial divulgado pelas montadoras.
RegulaçãoGrupo Volkswagen chama 4 milhões de carros para recall por risco de corrosão na direção
Parafuso do sistema de direção pode se deteriorar e comprometer o controle do veículo em modelos de várias marcas do grupo alemão.
RegulaçãoApp CNH do Brasil não resolve tudo: veja o que ainda exige ida ao Detran
Apesar da digitalização dos serviços de habilitação, etapas como biometria, provas e alterações cadastrais continuam exigindo presença física.


