Governo planeja testar gasolina com 35% de etanol, mas mistura preocupa donos de carros a gasolina
Após elevar o teor de etanol para 32%, o governo já autoriza testes com 35% — e especialistas ouvidos pela Autoesporte alertam para riscos em peças de veículos não flex, especialmente os mais antigos
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A tinta do decreto que elevou o teor de etanol na gasolina brasileira para 32% mal secou, e o governo já mira o próximo degrau. Segundo a colunista Paula Gama, do UOL Carros, a intenção é testar uma mistura com 35% do biocombustível — o que representaria mais um avanço significativo na política nacional de descarbonização dos combustíveis.
De acordo com o UOL Carros, os testes com a chamada 'etalina' em proporção mais elevada ainda estão em fase de preparação, mas sinalizam que o governo não pretende parar na marca atual. A ideia é avaliar o comportamento dos motores flex com a nova composição antes de qualquer mudança obrigatória nos postos.
A medida tem impacto direto sobre toda a frota de veículos flex em circulação no Brasil — a maior do mundo nessa tecnologia. Um percentual maior de etanol na gasolina tende a reduzir emissões de carbono, mas também pode afetar o consumo e a performance dos motores, aspectos que os testes deverão mapear com cuidado, conforme aponta o UOL Carros.
O que muda para quem tem carro a gasolina
Enquanto os testes avançam, a Autoesporte levanta um alerta importante: os veículos que rodam exclusivamente a gasolina — e não os flex — são os mais vulneráveis à nova composição. Especialistas ouvidos pela publicação foram unânimes ao apontar que os efeitos são mais intensos nos modelos mais antigos, embora carros novos também possam enfrentar problemas.
O primeiro impacto sentido pelo motorista tende a ser no bolso. Segundo a Autoesporte, o aumento do teor de etanol eleva o consumo de combustível e reduz a autonomia dos veículos movidos apenas a gasolina. A explicação técnica vem do professor de mecânica automotiva Tenório Júnior, ouvido pela reportagem: quanto mais etanol é adicionado à gasolina, mais difícil fica a queima ideal no motor, já que a taxa de compressão e a temperatura de trabalho desses veículos são inferiores às dos flex ou dos modelos a álcool. "Isso gera falhas, perda de potência e dificuldade nas partidas a frio", afirma o especialista, acrescentando que os problemas são os mesmos já conhecidos com a mistura atual de 32%, "porém, um pouco pior".
As peças que mais sofrem
A Autoesporte detalha quais componentes ficam mais expostos com a elevação do etanol na gasolina:
Carburador: presente apenas em veículos anteriores à popularização da injeção eletrônica, é o componente que mais preocupa os mecânicos. Segundo Tenório Júnior, ao contrário dos sistemas modernos, o carburador não se adapta ao combustível — a passagem de ar e de combustível para obter a mistura ideal é fixa. Além da perda de desempenho, o mecânico Bruno Bandeira, proprietário da Oficina Mecânica Na Garagem, alerta para o risco de corrosão: "Esse material não foi feito para suportar etanol", diz ele à Autoesporte, classificando como "condenado" um carburador já danificado pela mistura atual.
Tanque de combustível: o problema também se concentra nos carros mais antigos, especialmente os equipados com tanque metálico, que podem precisar de substituição, conforme aponta a Autoesporte.
Fontes
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