Morre Claudio Carsughi, engenheiro e jornalista que definiu o jornalismo automotivo brasileiro por décadas
Referência da Quatro Rodas entre 1975 e 1990, ele morreu aos 93 anos após 77 anos de carreira que atravessou a história do automobilismo e da imprensa no Brasil
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O jornalismo automotivo brasileiro perdeu um de seus nomes mais influentes. Claudio Carsughi, engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da USP e jornalista de longa data, morreu nesta quinta-feira (10) aos 93 anos. Segundo a Quatro Rodas, ele nasceu na Itália, em família originária de Arezzo, e chegou ao Brasil em 1946, após a Segunda Guerra Mundial — o que era para ser uma estadia de um ano tornou-se uma vida inteira em São Paulo.
A Quatro Rodas destaca que Carsughi começou no jornalismo esportivo aos 13 anos, escrevendo para o italiano Corriere dello Sport, e passou pela revista Placar antes de assumir a área técnica da publicação automotiva em julho de 1975. A partir de dezembro de 1977, acumulou o cargo de editor, função que exerceu até setembro de 1990. Sua formação em engenharia diferenciava radicalmente sua abordagem: em vez de impressões subjetivas, ele explicava soluções de suspensão, rendimento de motores e comportamento dinâmico com rigor analítico.
Como aponta o Motor1 Brasil, foram 77 anos de carreira — uma trajetória que atravessou transformações profundas nos automóveis, no esporte a motor e na própria imprensa brasileira, consolidando Carsughi como uma referência geracional para quem cobre o setor.
Entre os marcos de sua carreira, a Quatro Rodas aponta o primeiro teste do Volkswagen Gol no país, publicado na capa da edição de maio de 1980 e realizado em operação sigilosa — Carsughi dirigiu o protótipo durante a madrugada em estradas, finalizando a avaliação na pista ao amanhecer, para que o carro não fosse revelado antes do lançamento oficial. Décadas depois, em 2022, a Volkswagen o convidou para dirigir o Gol Last Edition, a edição de despedida do modelo. A publicação também lembra outros testes marcantes assinados por ele: o Fiat 147, o Gurgel Itaipu — primeiro carro elétrico fabricado no Brasil —, e comparativos pioneiros entre modelos como Ford Belina, VW Brasília e Chevrolet Caravan.
Fiel a suas convicções até o fim, a Quatro Rodas ressalta que Carsughi preferia câmbio manual e era crítico da automação crescente nos automóveis modernos, defendendo que o controle da condução deveria permanecer nas mãos do motorista. Sua trajetória representa um período em que a precisão técnica e o jornalismo de produto caminhavam juntos — uma combinação rara que deixa um legado duradouro na imprensa automotiva brasileira.
Fontes
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