Nova lei de minerais críticos pode mudar a cadeia de baterias elétrica no Brasil — mas o caminho é longo
País tem reservas de lítio, níquel, cobalto e grafite, mas dominar a extração é só o primeiro degrau de uma escada que ainda falta construir, segundo análise do UOL Carros

O brasileiro já ouve há alguns anos que o Brasil possui reservas relevantes de minerais essenciais para a transição energética — lítio, níquel, cobalto e grafite estão entre eles — e que o país já exporta parte dessas matérias-primas usadas na fabricação de baterias de carros elétricos. Apesar dessa aparente vantagem, segundo a colunista Paula Gama, do UOL Carros, ter o recurso no subsolo está muito longe de garantir que o Brasil controle a cadeia produtiva que vai da mina ao pacote de células instalado num veículo.
A nova lei de minerais críticos, conforme aponta o UOL Carros, surge num momento em que governos ao redor do mundo correm para assegurar acesso a esses insumos estratégicos — e o Brasil tenta se posicionar nessa disputa. O problema, como destaca a análise, é que dominar a extração é apenas o primeiro degrau de uma escada longa: refino, processamento químico, fabricação de células e montagem de módulos são etapas que o país ainda não consolidou em escala competitiva.
O UOL Carros ressalta que, enquanto o Brasil debate marcos regulatórios, China, Estados Unidos e União Europeia já avançam com políticas industriais robustas para internalizar cada elo dessa cadeia. Sem investimentos coordenados em tecnologia e infraestrutura, a tendência é que o país continue exportando minério bruto e importando baterias prontas — um modelo que agrega pouco valor e mantém a dependência externa justamente no componente mais caro de um elétrico.
A legislação pode abrir portas para atrair investidores e criar regras mais claras para o setor, mas, como destaca a colunista Paula Gama no UOL Carros, ter a faca e o queijo na mão não significa que o sanduíche já está feito. Transformar potencial mineral em liderança industrial exigirá política pública consistente, capital privado e, sobretudo, tempo — algo que a velocidade da eletrificação global não garante de sobra.
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