Nova CNH já economizou R$ 9,64 bilhões e disparou pedidos em 216% — e as autoescolas ainda dominam o mercado
Desburocratização da habilitação completa oito meses com mais de 2 milhões de novos motoristas, queda de 30% no tempo de processo e um mercado de autoescolas em reorganização, não em colapso
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
As mudanças nas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), que entraram em vigor em dezembro de 2025, já produziram resultados expressivos. Segundo a Autoesporte, o Ministério dos Transportes estima que os brasileiros economizaram R$ 9,64 bilhões até agosto de 2026 — um valor distribuído entre a gratuidade do curso teórico (R$ 2,94 bilhões), a redução nos custos da formação prática (R$ 4,57 bilhões), a renovação automática para bons condutores (R$ 1,44 bilhão), menos deslocamentos (R$ 278,7 milhões) e exames médicos e psicológicos mais baratos (R$ 414,6 milhões).
A Autoesporte aponta que o impacto vai além do bolso: o número de pessoas que concluíram o processo de habilitação cresceu 17,1% na comparação entre os primeiros oito meses de 2025 e de 2026, saltando de 1,71 milhão para mais de 2 milhões de novos motoristas. Os maiores avanços foram registrados em estados do Norte e Nordeste — a Paraíba liderou com alta de 77%, seguida por Sergipe (69,5%), Acre (55,4%), Rio Grande do Norte (55,1%) e Amapá (54%).
O dado mais impactante, porém, está nas solicitações de primeira habilitação. Segundo a Autoesporte, o número de candidatos que pediram a CNH pela primeira vez disparou 216% entre janeiro e agosto de 2026, chegando a 7,3 milhões de pedidos ante 2,3 milhões no mesmo período do ano anterior. Amapá (485,8%), Sergipe (472,5%) e Pernambuco (468%) encabeçam esse ranking, enquanto Santa Catarina, Tocantins e Minas Gerais registraram os menores crescimentos — ainda assim, acima de 114%.
O tempo médio para concluir o processo também encolheu de forma relevante: a Autoesporte informa que o prazo caiu 30%, de aproximadamente 210 dias para 147 dias. O conjunto dos dados sugere que a desburocratização abriu a porta da habilitação para um contingente de brasileiros que antes era barrado, sobretudo, pelo custo e pela demora do processo.
A principal mudança: fim da obrigatoriedade das autoescolas
A Autoesporte esclarece que o motor de toda essa transformação é o fim da obrigatoriedade de frequentar autoescolas. Os cursos teórico e prático passaram a poder ser realizados em instituições credenciadas ou com instrutores autônomos autorizados — cabendo ao instrutor registrar e validar a presença do aluno em cada aula. Quem preferir o modelo tradicional, porém, pode continuar fazendo tudo dentro de uma autoescola, que segue operando normalmente.
No período, a Autoesporte aponta que foram realizados 4,4 milhões de cursos teóricos e formados mais de 2 milhões de novos condutores. Além disso, 1,73 milhão de renovações automáticas foram concedidas a bons condutores — motoristas sem pontos nem infrações registrados nos últimos 12 meses e cadastrados no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC). A medida foi anunciada em janeiro de 2026, mas tem efeito retroativo a 10 de dezembro de 2025, data de publicação da medida provisória original.
Instrutores autônomos ainda são minoria
Apesar da abertura do mercado, a Autoesporte destaca que a esmagadora maioria dos cursos práticos ainda passa pelas autoescolas: 86,8% do total. Os instrutores autônomos respondem por apenas 13,2% — ou cerca de 553 mil dos 4,18 milhões de cursos práticos realizados no período. O Ministério dos Transportes, segundo a publicação, acredita que essa fatia deve crescer com o tempo.
Autoescolas fecham, mas sem falências
Um ponto sensível do novo modelo é o impacto sobre as autoescolas. A Autoesporte informa que, de janeiro a agosto de 2026, foram registrados 478 encerramentos de autoescolas, contra 266 no mesmo período de 2025. O ministro dos Transportes, George Santoro, avalia, porém, que os números apontam para uma reorganização do mercado, não para uma crise — e ressalta que nenhuma escola decretou falência. A redução líquida representa cerca de 2% do estoque total de estabelecimentos.
Menos infrações e teto de preço para exames
Outro indicador positivo levantado pela Autoesporte: a proporção de novos habilitados com registro de infração caiu 77,1%. Para o ministro Santoro, uma das explicações pode estar justamente na liberdade de escolha do instrutor, que tenderia a criar uma relação de maior responsabilidade no aprendizado.
Sobre os custos dos exames de aptidão física, mental e psicológica, a Autoesporte aponta que 24 dos 27 estados já aplicam o teto de R$ 180,00 definido pelo governo federal. Minas Gerais, Mato Grosso e Sergipe ainda cobram valores acima desse limite, por força de decisão judicial.
Fontes
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