Pesquisa revela o que faz o motorista brasileiro acelerar — e por que não vale a pena
Estudo da Fundación Mapfre com a Poli-USP mostra que excesso de velocidade ganha no máximo 18 segundos por quilômetro e que radares ainda são vistos como 'indústria da multa'.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O que leva um motorista a ignorar o limite de velocidade — e o que o faz respeitar? Uma pesquisa nacional conduzida pela Fundación Mapfre em parceria com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), divulgada pelo AutoInforme, tentou responder a essa pergunta e chegou a conclusões que desafiam tanto o senso comum quanto o discurso oficial sobre segurança viária.
Segundo o estudo, a disposição para respeitar os limites está mais ligada a valores internos do que a punições externas: responsabilidade social e normas morais são os principais motivadores do comportamento adequado. Já no lado oposto, a infraestrutura pesa muito — ruas sem elementos claros de moderação de tráfego ou com fluxo livre favorecem o pé pesado. A presença de placas de regulamentação, por outro lado, reduz de forma mensurável a velocidade média declarada pelos entrevistados, conforme aponta a pesquisa.
Um dos achados mais reveladores diz respeito ao ganho real de tempo ao acelerar acima do limite. Testes de navegação citados pelo AutoInforme mostraram que o benefício é de apenas 7 a 18 segundos por quilômetro — diferença que semáforos e congestionamentos anulam com facilidade. Apesar disso, a cultura da velocidade persiste: o apoio dos brasileiros a limites de 30 km/h em áreas urbanas e à fiscalização mais rigorosa fica abaixo da média dos demais países latino-americanos avaliados no mesmo levantamento.
A relação com os radares também é ambígua. De acordo com a pesquisa da Fundación Mapfre e da Poli-USP, 75,9% dos motoristas reconhecem o papel da fiscalização eletrônica na promoção da segurança viária — mas mais de 53% ainda associam os equipamentos principalmente à arrecadação de multas. A chamada 'indústria da multa' segue viva no imaginário do condutor brasileiro, o que, segundo os pesquisadores, compromete a legitimidade das políticas de gestão de velocidade e dificulta sua aceitação social.
Fontes
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