Peugeot vira marca de nicho no Brasil enquanto Citroën foca em carros populares
Stellantis reposiciona suas marcas francesas no mercado brasileiro e estuda uso de plataformas chinesas da Dongfeng para baratear custos.
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A Stellantis está redesenhando o papel da Peugeot e da Citroën no Brasil — e os caminhos das duas marcas francesas não poderiam ser mais diferentes. Segundo a Quatro Rodas, o presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, confirmou a jornalistas que a Peugeot deixará de disputar volume de vendas para se tornar uma marca de nicho posicionada acima da Fiat, mirando consumidores que valorizam design e acabamento superior. A Citroën, por sua vez, seguirá na direção oposta: concentrar esforços nos segmentos de entrada, com carros de apelo racional, espaço interno generoso e baixo custo de manutenção.
Os números explicam a urgência do realinhamento. A Quatro Rodas aponta que, no primeiro semestre, a Fiat registrou 270.946 emplacamentos e a Jeep, 56.426 — enquanto a Citroën acumulou apenas 17.501 unidades e a Peugeot, míseras 8.754. A revista destaca que a Peugeot vendeu menos que Omoda e Mitsubishi, e a Citroën ficou abaixo até de Ford e Geely, marcas que operam exclusivamente com importados. Em 2026, o cenário interno da Peugeot também chama atenção: o 2008 acumula 4.211 emplacamentos contra 2.960 do 208, ambos números considerados pela publicação como desempenho fraquíssimo.
Parte do problema, conforme a Quatro Rodas explica, veio de uma aposta mal calibrada na Argentina. A produção da Peugeot foi concentrada no país vizinho quando o mercado argentino ainda favorecia carros nacionais, mas a equação se inverteu: hoje 70% dos emplacamentos argentinos são de importados, contra apenas 30% de fabricação local. Isso encareceu as importações para o Brasil e deixou a marca debilitada. Já a Citroën mantém operação mais sólida, com os modelos C3, Aircross e Basalt fabricados em Porto Real (RJ) — sendo o Basalt o carro-chefe, com 7.621 unidades emplacadas de janeiro a junho.
Para virar o jogo, a Stellantis adotou internamente a filosofia chamada de 'fast lane', que dá liberdade às operações regionais para buscar parcerias e produtos adequados ao seu mercado, sem a obrigação de usar plataformas globais inviáveis financeiramente. É dentro desse contexto que, segundo a Quatro Rodas, o futuro de Peugeot e Citroën no Brasil pode estar atrelado ao uso de arquiteturas e tecnologias da fabricante chinesa Dongfeng, parceira da Stellantis, com potencial de baratear custos e acelerar a renovação dos portfólios das duas marcas.
Fontes
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