Pressão por entregas rápidas aumenta acidentes entre motoboys, aponta pesquisa
Estudo revela que algoritmos de aplicativos de delivery intensificaram riscos e acidentes entre motociclistas profissionais.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
A antiga pressa dos motoboys brasileiros ganhou uma nova dimensão com a chegada dos aplicativos de entrega, que intensificaram o ritmo e os riscos enfrentados por esses profissionais. Segundo o Jornal do Carro (Estadão), pesquisas apontam que a pressão por prazos cada vez mais curtos, imposta por algoritmos das plataformas, contribui diretamente para o aumento de acidentes de trânsito entre entregadores.
Dados do Ipea indicam que, entre 2016 e 2021, o número de motociclistas entregadores no Brasil cresceu mais de 1.000%, e a tendência de crescimento segue forte. Em 2025, o IBGE contabilizou 376 mil entregadores por aplicativo, com avanço expressivo entre os que têm a atividade como principal ocupação. Paralelamente, a pesquisa EpisSAT Entregadores, da Universidade Federal da Bahia, revelou que 44,1% dos entregadores entrevistados sofreram ao menos um acidente de trabalho no último ano — mais de dez vezes a média da população ocupada em geral.
O estudo também mostra que práticas como furar sinal vermelho, adotadas por dois em cada três entregadores, estão diretamente ligadas ao aumento de acidentes. Para a pesquisadora Janaína Santos de Siqueira, citada pelo Jornal do Carro, a lógica dos aplicativos — que penaliza atrasos com avaliações negativas e bloqueios — força os trabalhadores a arriscar mais para não perder renda.
Embora o uso do capacete seja quase universal entre os entregadores, a pressão do tempo faz com que regras de trânsito que "custam minutos" sejam frequentemente ignoradas. O resultado, segundo os pesquisadores, é a intensificação da precarização e dos riscos enfrentados por esse grupo, que já representa parcela significativa das vítimas fatais no trânsito brasileiro.
Fontes
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