Propaganda na tela do carro: o que a lei brasileira diz sobre publicidade na multimídia do seu veículo
Ação da BMW com o filme do Homem-Aranha acende debate sobre os limites legais da publicidade dentro dos carros conectados.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
A cena chamou atenção no início de agosto: proprietários de BMW em mais de 70 países ligaram seus carros e se depararam com um banner do novo filme do Homem-Aranha ocupando a tela da central multimídia. Segundo a Autoesporte, a ação é fruto de uma parceria entre a BMW, a Sony e a Marvel — e inclui efeitos sincronizados de iluminação na cabine. Nas redes sociais, a recepção foi longe de unanimemente positiva: muitos donos de BMW manifestaram desconforto com a ideia de receber publicidade dentro de um bem que já pagaram caro para ter.
A iniciativa levanta uma pergunta concreta para o mercado brasileiro: montadoras podem transformar a tela do carro em espaço publicitário? A Autoesporte consultou especialistas jurídicos, e a resposta curta é: podem, mas com limites importantes. Para a advogada Gisele Karassawa, do VLK Advogados, a exploração comercial do sistema multimídia não é proibida, mas precisa respeitar o contrato de compra, o Código de Defesa do Consumidor, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e as normas de segurança do produto. Segundo ela, citada pela Autoesporte, "aceitar os 'Termos' não significa renunciar à privacidade nem autorizar qualquer uso futuro dos dados".
O advogado Anderson Silva, professor universitário e CEO da A2 Paralegal, reforça o entendimento de que vender espaço publicitário na interface digital do veículo não é, por si só, ilegal — afinal, os carros modernos funcionam cada vez mais como plataformas conectadas. Mas, como a Autoesporte aponta com base em sua fala, o anúncio precisa ser transparente, não pode comprometer funções do veículo e muito menos distrair o motorista enquanto o carro está em movimento, o que esbarra diretamente na legislação de trânsito. "O limite está na forma como isso é feito. Contrato, LGPD e Código de Defesa do Consumidor precisam caminhar juntos", afirmou o especialista ao veículo.
Um ponto sensível levantado pela reportagem da Autoesporte é a questão de mudanças feitas após a venda: introduzir anúncios invasivos por atualização de software em um carro que foi comercializado sem essa característica pode configurar prática abusiva ou falha de informação ao consumidor. Até o fechamento da matéria original, a BMW não havia confirmado se a campanha do Homem-Aranha chegou ao Brasil. O episódio, no entanto, já serve de alerta: à medida que os veículos se tornam mais conectados, a briga pelo espaço na tela do carro promete esquentar — e os consumidores precisarão ficar atentos aos seus direitos.
Fontes
Notícias relacionadas
RegulaçãoFord abre recall da Ranger 2027 2.0 por risco de vazamento no freio; veja os três chassis afetados
Apenas três unidades produzidas em 1º de junho de 2026 estão convocadas; falha no tubo do cilindro mestre pode comprometer a frenagem e elevar o risco de acidente.
Governo aplica multas acima de R$ 700 milhões e endurece punições contra abusos nos preços dos combustíveis
Novas medidas incluem operação nacional de fiscalização, 70 processos administrativos e penalidades de até R$ 500 milhões por infração.
Gasolina E35: o que muda de verdade no seu carro com mais etanol na mistura
Aprovada em lei desde 2024, a gasolina com 35% de álcool ainda não chegou aos postos — mas já gerou onda de desinformação que precisa ser desfeita.
RegulaçãoA gasolina do seu posto não é a mesma usada pelo Inmetro nos testes de consumo
Diferença na composição do combustível de referência e da gasolina comercial explica por que a autonomia real do carro quase nunca bate com o número oficial divulgado pelas montadoras.
RegulaçãoGrupo Volkswagen chama 4 milhões de carros para recall por risco de corrosão na direção
Parafuso do sistema de direção pode se deteriorar e comprometer o controle do veículo em modelos de várias marcas do grupo alemão.
RegulaçãoApp CNH do Brasil não resolve tudo: veja o que ainda exige ida ao Detran
Apesar da digitalização dos serviços de habilitação, etapas como biometria, provas e alterações cadastrais continuam exigindo presença física.

