Romi-Isetta completa 70 anos: o carro de uma porta que inaugurou a produção em série no Brasil
Fabricado em Santa Bárbara d'Oeste (SP) a partir de 1956, o compacto com porta dianteira única antecipou a chegada das grandes montadoras ao país e deixou legado industrial duradouro.
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Enquanto o setor automotivo debate eletrificação e a chegada em massa de marcas chinesas, uma cidade do interior paulista olha para trás com orgulho. Santa Bárbara d'Oeste (SP) celebra neste mês os 70 anos do Romi-Isetta, o peculiar compacto de porta única dianteira que, segundo a Autoesporte, foi o pioneiro da produção de automóveis de passeio em série no Brasil.
A Autoesporte destaca que, antes do Romi-Isetta, os veículos disponíveis no país eram importados ou montados pelo sistema CKD — em que as peças chegam do exterior e a montagem ocorre aqui. A virada veio em 1956, quando a Indústrias Romi S.A., então fabricante de máquinas agrícolas fundada em 1930, lançou o modelo com mais de 70% de seu peso em componentes nacionais. O idealizador do projeto foi Américo Emílio Romi, que se antecipou à chegada de gigantes como GM, Volkswagen e Ford, instaladas no Brasil apenas a partir da década seguinte.
De acordo com a Autoesporte, a viabilidade do projeto se apoiou na robusta base metalúrgica da empresa. O professor e pesquisador da UFSCar Mário Sacomano explica, na publicação, que a Romi "já dominava tecnologias fundamentais para fabricar componentes metálicos complexos" graças à sua atuação em máquinas-ferramenta e implementos agrícolas. "A Romi chegou primeiro porque já possuía capacidade industrial instalada, competência metalúrgica e um empreendedor disposto a assumir riscos antes da consolidação da indústria automobilística brasileira fomentada por JK", afirmou o pesquisador, citado pela Autoesporte.
Apesar do pioneirismo industrial, o carro não foi um sucesso comercial: a Autoesporte aponta que a produção encerrou em 1961 com apenas cerca de 3 mil unidades fabricadas. Os exemplares sobreviventes tornaram-se itens de colecionador e participaram de encontros comemorativos na própria cidade natal do modelo. O legado, porém, vai além dos números de venda — a estrutura de fornecedores e a cultura industrial que a Romi ajudou a construir pavimentaram o caminho para toda a indústria automotiva nacional que viria a seguir.
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