Setor de caminhões afunda no bimestre com juros altos, guerra e dólar em alta
Vendas recuaram 28,7% e produção caiu 27% nos dois primeiros meses do ano, enquanto novos fatores de instabilidade ameaçam agravar o cenário.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O setor de caminhões brasileiro encerrou o primeiro bimestre de 2025 no vermelho — e com perspectivas pouco animadoras para os meses seguintes. Segundo o Jornal do Carro (Estadão), as vendas do segmento recuaram 28,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a produção nacional encolheu 27%, somando apenas 20 mil unidades entre janeiro e fevereiro.
O Jornal do Carro aponta que o presidente da Anfavea, Igor Calvet, identificou três "fatores de volatilidade" que tornam o quadro ainda mais preocupante. O primeiro é a taxa Selic, que permanece elevada mesmo diante de variações do PIB — o que, na avaliação de Calvet, continuará freando o financiamento de caminhões zero-quilômetro ao longo do ano. O segundo fator é o conflito entre Estados Unidos e Irã, que fez o dólar e os combustíveis dispararem, encarecendo a logística para os transportadores e elevando o custo de peças importadas usadas na produção local. O terceiro é a instabilidade geopolítica global, que já começa a fechar portas no mercado externo: segundo o Jornal do Carro (Estadão), as exportações de caminhões despencaram mais de 31% no bimestre, totalizando 3,3 mil unidades embarcadas.
A combinação de fatores também deixou rastro no emprego. De acordo com o Jornal do Carro (Estadão), a indústria de veículos pesados terminou fevereiro com 180 vagas a menos do que tinha no início do ano, reflexo direto da redução nos volumes de produção. Calvet admitiu que a Anfavea ainda não tem clareza sobre o tamanho total do impacto na cadeia de fornecimento de peças, especialmente diante das novas alíquotas de importação e da turbulência geopolítica.
No meio de tantas más notícias, o Jornal do Carro (Estadão) destaca um dado positivo isolado: a produção de fevereiro cresceu 14,5% em relação à de janeiro. Sazonalidade ajuda a explicar parte do resultado, mas a indústria trata o número como um alento em meio à tempestade — e como argumento para sustentar algum otimismo cauteloso diante de um ano que promete ser longo e difícil.
Fontes
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