Stellantis corta segundo turno na Argentina e reduz drasticamente a produção de Fiat Titano e Ram Dakota
Fábrica de Ferreyra, em Córdoba, elimina jornada extra a partir de setembro de 2026 após queda nas vendas no Brasil e desaquecimento da demanda local; números revelam distância abissal para a líder Toyota Hilux
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A Stellantis confirmou um ajuste operacional significativo na sua fábrica de Ferreyra, em Córdoba, na Argentina, responsável por abastecer o Brasil com duas picapes do grupo: a Fiat Titano e a Ram Dakota. Segundo o Notícias Automotivas, a medida foi tomada em resposta a uma retração na demanda pelos dois modelos, que passaram a registrar volumes de venda muito abaixo do esperado — e não apenas ligeiramente inferiores às metas, como se poderia imaginar em uma acomodação natural de mercado.
A Quatro Rodas aponta que o corte vai além de uma simples calibragem de ritmo: a partir de setembro de 2026, a montadora eliminará o segundo turno da linha de montagem dos dois utilitários, mantendo apenas uma jornada de trabalho. O motivo, conforme a revista, é duplo — o desaquecimento da demanda no mercado argentino e a queda nas exportações, com o fraco desempenho brasileiro figurando como um dos principais vetores do problema.
Metas despedaçadas
Os números divulgados pela Quatro Rodas deixam clara a dimensão do recuo. No início de 2026, a unidade de Ferreyra pretendia fabricar 27.000 unidades somando os dois modelos ao longo do ano. Com a revisão dos planos, a Stellantis projeta agora produzir apenas 3.000 exemplares da Ram Dakota até dezembro — ante 8.000 originalmente previstos — e 1.000 unidades da Fiat Titano, em vez das 1.500 planejadas.
Vendas no Brasil expõem o problema
A Quatro Rodas detalha o desempenho comercial que justifica o corte. Lançada em 2026, a Dakota teve seu melhor resultado em agosto, quando emplacou 634 unidades. A Titano, por sua vez, registrou 581 licenciamentos em março, seu ápice no ano. No acumulado entre janeiro e agosto, a picape da Ram soma 3.200 unidades registradas, enquanto a Titano contabiliza 3.479 veículos.
A comparação com a líder do segmento é devastadora: segundo a Quatro Rodas, a Toyota Hilux emplacou 3.471 unidades apenas em agosto — praticamente o mesmo volume que a Titano vendeu em oito meses inteiros — e acumula 30.203 emplacamentos em 2026. O segmento de picapes médias no Brasil tem se mostrado cada vez mais competitivo, com rivais como Toyota Hilux e Volkswagen Amarok disputando espaço com ofertas renovadas, o que pressiona ainda mais as posições de Titano e Dakota.
Crise imediata na linha de montagem
Além do corte estrutural de turno, a Quatro Rodas revela que a fábrica argentina enfrenta gargalos operacionais imediatos. A linha de montagem dos utilitários teve a produção interrompida no início desta semana por falta de componentes — especificamente motores. Para adequar o quadro de funcionários ao novo volume, a empresa adotará suspensões temporárias de contratos e remanejará trabalhadores para o setor de motores.
Investimento bilionário segue em paralelo
A reestruturação ocorre em um momento paradoxal: conforme a Quatro Rodas, a planta de Ferreyra recebe simultaneamente um investimento de US$ 380 milhões — cerca de R$ 2,1 bilhões — voltado a estruturar o polo produtivo de picapes e a instalar a linha de montagem do motor 2.2 turbodiesel Multijet de quatro cilindros, previsto para estrear no início de 2027. O novo propulsor não atenderá apenas aos utilitários argentinos: segundo a Stellantis, o motor também será exportado para equipar comerciais leves e picapes produzidos no Brasil e no Uruguai.
Ainda conforme o Notícias Automotivas, a Stellantis não detalhou por quanto tempo o ajuste deve permanecer em vigor, deixando em aberto a possibilidade de retomada plena da capacidade produtiva caso a demanda se recupere nos próximos meses.
Fontes
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