SUVs de entrada ameaçam o domínio dos hatches compactos no Brasil
Modelos como Chevrolet Sonic e Jeep Avenger ocupam uma lacuna de mercado entre os hatches e os SUVs tradicionais — e podem redesenhar as preferências dos brasileiros.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O mercado automotivo brasileiro vive uma transformação silenciosa, mas de grande impacto: os chamados SUVs de entrada estão conquistando consumidores que antes migrariam para hatches compactos. A Quatro Rodas aponta que lançamentos como o Chevrolet Sonic e o Jeep Avenger simbolizam essa virada, oferecendo posição de condução mais elevada a preços mais acessíveis do que os SUVs tradicionais — sem, no entanto, se confundir com os antigos hatches aventureiros.
A distinção vai além do nome. Segundo a Quatro Rodas, o Inmetro estabelece critérios técnicos claros para que um veículo seja classificado como SUV, incluindo ângulo de ataque mínimo de 23°, altura livre do solo de pelo menos 20 cm entre os eixos e 18 cm sob os eixos dianteiro e traseiro. Para Milad Kalume Neto, consultor e diretor executivo da K.LUME ouvido pela Quatro Rodas, a diferença também está no conceito: enquanto o hatch altinho é basicamente um hatch com suspensão elevada e plásticos extras — resultando em um projeto 'desengonçado' —, os pequenos SUVs nascem com design e engenharia pensados especificamente para esse público. Já Cassio Pagliarini, diretor de marketing da Bright Consulting, destaca à Quatro Rodas que chamar o carro de SUV agrega valor percebido aos olhos do consumidor, justificando preços superiores aos dos hatches convencionais.
Esses modelos ocupam uma faixa de preço intermediária, entre os hatches na casa dos R$ 90 mil e os SUVs compactos que chegam a R$ 150 mil, conforme a Quatro Rodas descreve. A K.LUME, segundo a reportagem, considera os SUVs de entrada parte do segmento de SUVs compactos e estima que esse conjunto já representa mais de 60% de todos os SUVs vendidos no país — e Milad Kalume Neto enxerga o movimento como algo estrutural, não uma moda passageira. A Bright Consulting adota postura mais cautelosa: a consultoria, ainda de acordo com a Quatro Rodas, aguarda a evolução do mercado antes de prever se esses veículos superarão em volume os SUVs compactos e maiores já consolidados.
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