VW 1600 TL de quatro portas: o carro que quis conquistar a família brasileira nos anos 1970
Lançado como resposta ao sedã original e aos rivais mais bonitos, o TL de quatro portas reunia conforto, praticidade e porta-malas generoso — mas não escapou da concorrência interna.
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A Volkswagen do Brasil tentou, no início dos anos 1970, criar o carro perfeito para a família brasileira. Segundo a Quatro Rodas, o resultado foi o chamado 'modelo 109', um VW 1600 TL de quatro portas apresentado em 1971 como evolução do cupê TL original — ele mesmo um sucesso de vendas desde seu lançamento em 1970. A publicidade da época resumia a proposta com a frase 'Entre sem pedir licença', destacando que a praticidade de um sedã voltava embalada em uma carroceria mais elegante e racional.
A Quatro Rodas aponta que o TL quatro portas nascia de uma família já consolidada: a linha 1600 havia sido apresentada em 1968 com um sedã homônimo, ganhou a Variant (perua) em 1969 e o cupê TL em 1970. O sedã original, sóbrio demais, acabou ofuscado pelos irmãos e por rivais como o Ford Corcel, sendo descontinuado em 1971 após 38.028 unidades. Já o TL de quatro portas chegava para preencher exatamente esse vazio, oferecendo banco traseiro com 5 cm a mais para as pernas, encosto em posição mais relaxada e abertura generosa das portas — diferenciais que o sedã original nunca soube explorar visualmente.
No aspecto técnico, a Quatro Rodas destaca que o porta-malas dianteiro comportava 267 litros e o traseiro, 344 litros — aproveitamento viabilizado pelo motor boxer a ar de 1,6 litro instalado na traseira. O propulsor era barulhento, mas eficiente: Nicola Labate, dono de um TL 1972 que ilustra a reportagem da revista, relata consumo entre 8 km/l na cidade e 12 km/l na estrada. A dirigibilidade também era elogiada, com direção leve, câmbio de quatro marchas de engates curtos e comportamento dinâmico descrito como quase neutro para um carro de tração traseira.
O modelo evoluiu ao longo dos anos: a Quatro Rodas informa que a versão 1973 ganhou saídas de ar nas colunas traseiras e passou a ser oferecida em duas faixas informalmente chamadas de 'standard' e 'luxo', esta última identificada pelas lanternas traseiras duplas. Opcionais como pintura metálica e estofamentos coloridos completavam o cardápio. Ainda assim, a concorrência interna dentro da própria VW acabaria pesando contra o TL — um destino comum a quem tenta ser o carro definitivo de uma geração.
Fontes
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