Galloper ressuscita após 20 anos com chassi da Frontier e motor Mitsubishi
Marca espanhola de origem sul-coreana volta ao mercado em 2026 com picape e SUV desenvolvidos pela chinesa Dongfeng.
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Quem viveu os anos 1990 no Brasil pode se lembrar do Galloper, aquele SUV robusto vendido pela Hyundai e pela Asia Motors que, na prática, era um Mitsubishi Pajero de primeira geração fabricado na Coreia do Sul. Pois bem: segundo a Quatro Rodas, a marca está prestes a ressurgir — mas com uma mistura de origens ainda mais improvável do que a original.
A Quatro Rodas explica que a Galloper voltará ao mercado espanhol em outubro de 2026 com dois modelos: um SUV e uma picape. Ambos foram desenvolvidos pela fabricante chinesa Dongfeng Zhengzhou e utilizam arquitetura derivada das plataformas do Nissan Paladin e do Navara — a mesma picape vendida no Brasil como Frontier. A escolha por plataformas veteranas, segundo a publicação, tem objetivo claro: reduzir custos de desenvolvimento e permitir preços abaixo da média europeia para utilitários com tração 4×4 tradicional.
Debaixo do capô, a Quatro Rodas aponta que os modelos dispensam qualquer eletrificação e adotam um motor 2.0 turbo a gasolina de origem Mitsubishi, com 220 cv. A transmissão é automática de oito marchas fornecida pela ZF, e o sistema de tração 4×4 vem da BorgWarner, com caixa redutora e bloqueio do diferencial traseiro. A contrapartida, como destaca a revista, é o consumo elevado — consequência natural de um motor a gasolina sobre um chassi pesado. Para contornar isso e cumprir as normas de emissões europeias, a empresa planeja oferecer conversão de fábrica para GLP.
A história da marca é, ela própria, um emaranhado de acordos industriais. A Quatro Rodas conta que a Galloper foi criada pela divisão espanhola da Mitsubishi em 1998 justamente para comercializar o SUV que a Hyundai produzia na Coreia. Quando o modelo saiu de linha em 1999, a operação ainda sobreviveu por alguns anos com produção de baixa escala do Pajero, até encerrar as atividades em 2005. Agora, duas décadas depois, o nome retorna apostando em um nicho que a eletrificação em massa está deixando cada vez mais descoberto na Europa: o dos utilitários mecânicos, acessíveis e capazes fora de estrada.
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