Jetour T2 XWD 4x4: potência nebulosa, preço agressivo e R$ 400 milhões investidos no Brasil
Híbrido plug-in com quatro motores e bateria de 43 kWh chega a R$ 349.900, enquanto a marca chinesa revela planos ambiciosos de expansão no país — mas ainda sem endereço para a produção local.
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O Jetour T2 ganhou uma versão 4x4 confirmada ainda em junho, mas os detalhes sobre essa variante permaneciam em sigilo — até agora. Segundo o Motor1.com Brasil, que apurou as informações diretamente com executivos da montadora chinesa, a novidade vai muito além da simples adição de tração integral ao SUV de grande porte.
A Quatro Rodas revelou que o modelo em questão é o T2 XWD, um híbrido plug-in que chega às concessionárias com preço de R$ 349.900 — ou R$ 339.900 para os primeiros 599 compradores, o que representa um acréscimo de R$ 50.000 sobre a versão 4x2 já disponível.
Quatro motores, mas potência real é um mistério
A Quatro Rodas aponta que o T2 XWD conta com quatro propulsores ao todo. No eixo dianteiro trabalham um motor 1.5 turbo a gasolina de 135 cv e 20,4 kgfm, acompanhado de dois elétricos — um de 102 cv e 17,3 kgfm e outro de 122 cv e 22,4 kgfm —, todos gerenciados por um câmbio sequencial de três marchas. A grande novidade, segundo a publicação, é um quarto motor elétrico de 238 cv e 31,6 kgfm instalado no eixo traseiro, exatamente onde ficaria o diferencial de um jipe tradicional, dispensando o uso de cardã.
Como o UOL Carros havia antecipado, o conjunto supera a marca de 600 cv — a Jetour divulga a soma de todos os motores em 597 cv e 91,7 kgfm. Mas a Quatro Rodas alerta que esse número deve ser encarado com cautela: a potência real entregue nas rodas é um mistério, já que os quatro propulsores não atingem seus picos máximos simultaneamente, especialmente o motor a combustão. A marca justifica a opção por divulgar a soma total alegando ausência de padronização na medição de potência de híbridos para o mercado brasileiro — argumento que a Quatro Rodas contextualiza lembrando que a Jaecoo, também controlada pela Chery Global, precisou recentemente corrigir os dados do Jaecoo 7, que perdeu 60 cv e 15 kgfm ao adotar o Regulamento Técnico Global das Nações Unidas nº 21, sem qualquer alteração mecânica.
Bateria grande, autonomia elétrica modesta
A Quatro Rodas destaca que o T2 XWD traz uma bateria de 43,24 kWh fornecida pela CATL — capacidade superior à de modelos como o BYD Dolphin Mini e o Geely EX2. Ainda assim, a autonomia elétrica homologada pelo Inmetro é de até 106 km, um resultado que a publicação considera pouco surpreendente dado o tamanho e o peso do veículo. Em carregadores rápidos DC de 40 kW, a recarga de 20% a 80% leva 36 minutos, segundo a Jetour.
A versão 4x4 ficou 250 kg mais pesada do que as variantes 4x2, mas a Quatro Rodas observa que o ganho de desempenho proporcionado pelo quarto motor torna essa diferença imperceptível na prática. O torque instantâneo dos elétricos garante acelerações e retomadas sem esforço tanto no asfalto quanto fora dele, e a direção e o isolamento acústico são descritos pela publicação como suficientemente bons para que o motorista perca a noção da velocidade.
Posicionamento de preço agressivo
O ponto que deve chamar mais atenção do consumidor brasileiro, segundo o UOL Carros, é a estratégia comercial da Jetour: o T2 4x4 foi precificado em uma faixa equivalente à do Tank 300, rival direto no segmento de SUVs off-road premium de origem chinesa. Com essa combinação de potência elevada — ainda que parcialmente nebulosa — e preço calculado, a marca parece disposta a disputar de igual para igual um dos segmentos que mais cresce entre os importados no Brasil.
R$ 400 milhões investidos, mas fábrica ainda sem endereço
O lançamento do T2 XWD serviu também de palco para uma revelação estratégica: conforme o Notícias Automotivas apurou, a Jetour anunciou à imprensa um aporte de R$ 400 milhões destinados à expansão de suas operações no Brasil. O valor reforça a seriedade dos planos da marca no país, que figura entre os mercados prioritários da montadora fora da China.
No entanto, o Notícias Automotivas ressalta que um ponto central dessa estratégia permanece indefinido: a produção local ainda não tem endereço confirmado. A marca não revelou em qual estado ou instalação pretende fabricar seus veículos em território nacional, deixando em aberto uma das perguntas mais relevantes para quem acompanha a corrida das montadoras chinesas pela industrialização no Brasil.
Fontes
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